sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Museu da Baronesa: um recorte da história de Pelotas

Museu da Baronesa (Foto: Daniel Corrêa)

O Parque Municipal Museu da Baronesa é um museu que traz usos e costumes da classe rica de Pelotas no fim do século XIX e início do século XX. Localizado no bairro Areal, o parque é um dos pontos turísticos que mais caracterizam a cidade. Possui uma área de sete hectares e é composta por um sobrado construído no estilo bangalô americano, uma gruta incrustada em pedras, um pequeno castelo, um jardim francês, um chafariz, lagos artificiais e muitas áreas verdes. Foi por muitos anos a casa de veraneio da família Antunes Maciel, dada como presente de casamento ao Barão e à Baronesa, passando por três gerações. Após a ida dos proprietários para o Rio de Janeiro, a casa ficou durante muitos anos abandonada, até que em 1978 foi doada para a prefeitura de Pelotas, que levou quatro anos reformando o prédio, inaugurando o museu em 25 de abril de 1982. 

Confira também:
- site oficial do Museu da Baronesa;
- Museu da Baronesa no Facebook.

A maior parte do acervo foi doada pela família junto com o prédio. Dentre eles estão móveis, roupas, quadros, louças e diversas peças que retratam o estilo de vida de pessoas de classe alta na viradas dos séculos XIX para o XX. Segundo a diretora do Museu Annelise Montone, há indícios de que a casa tenha evoluído e passado por aumentos em aposentos e cômodos com o passar dos anos enquanto a família morava no local, porém a falta de registros oficiais impossibilita saber com certeza o que foi modificado e quando.

Móveis e louças com mais de um século. (Foto: Daniel Corrêa)
O museu é de responsabilidade da prefeitura de Pelotas e da secretaria de Cultura, que disponibiliza uma equipe com dois museólogos, dois profissionais da área de conservação e restauro e três estagiários de diferentes áreas de atuação, além de funcionários responsáveis pela limpeza e manutenção. O museu da Baronesa tem também o apoio da Associação de Amigos do Museu da Baronesa, que contribui sempre que necessário.

Para a diretora, ele representa um recorte do período histórico já citado em termos da vida cotidiana, pois manteve o aspecto de residência: "poderia (a casa) ser transformada em salas de exposições que não lembrassem mais nada". Ela ainda ressalta que o prédio era de uma das famílias mais ricas e prósperas do município, o que explica o refinamento. Segundo Annelise, a construção é anterior aos casarões históricos do entorno da Praça Coronel Pedro Osório.

Vestimentas datadas do fim do século XIX. (Foto: Daniel Corrêa)
O museu recebe anualmente em torno de 14 mil pessoas. Já o parque atrai mais visitas, pois possui livre acesso e conta com belas paisagens e extensa área verde, tornando-o um local ideal para o passeio com a família. O museu funciona de terça a sexta, das 13h30min às 18h; sábados e domingos, das 14h às 18h. A bilheteria encerra às 17h45min. Os ingressos custam R$3,00. Crianças até 12 anos não pagam e estudantes e idosos pagam meia entrada. Já o parque está sempre aberto e a entrada é livre.

Veja nosso vídeo contando a história do museu!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Molhes da Barra - Rio Grande (RS)




Considerada uma das maiores obras de engenharia oceânica do mundo, os Molhes da Barra do Rio Grande foram construídos para dar segurança à navegação. A construção aconteceu entre 1909 e 1915, depois de várias décadas de estudos e projetos para controlar as condições adversas da entrada do único porto marítimo do Estado do Rio Grande do Sul. São constituídos por dois quebra-mares construídos com gigantescas pedras que avançam 4 km no Oceano Atlântico, sendo um deles localizado no município de Rio Grande (molhe oeste) e o outro em São José do Norte (molhe leste).
Navios chegando ao porto de Rio Grande: turistas surpreendem-se com a imponência (Foto: Daniel Corrêa)

Confira também:
fotos diversas dos Molhes da Barra (autoria: João Paulo);
reportagem da RBS TV sobre os Molhes.


Além de essencial para a navegação, a obra é hoje um dos maiores atrativos turísticos da cidade. Nela os turistas e visitantes podem realizar o passeio de vagonetas, adentrando o oceano. As vagonetas são carrinhos movidos à vela, que deslizam sobre trilhos, controlados por trabalhadores conhecidos como vagoneteiros. O passeio dura cerca de 20 minutos, custa R$ 30,00 e em época de temporada cada vagoneta realiza cerca de cinco viagens por dia.

Roque Ribeiro Moraes, 55 anos, vagoneteiro há 8 anos, explica que entre os trabalhadores existem 4 líderes que participam de reuniões e coordenam 59 homens, que tem nas vagonetas uma forma de complementar a renda familiar. Os líderes são escolhidos pela Superintendência do Porto do Rio Grande que, segundo Moraes, contribui com panos, roupas, fardamentos e a manutenção dos  trilhos.
Além de adentrar o oceano sob os trilhos dos molhes, o que chama a atenção de quem anda nas vagonetas são as pipas de Kite Surf, esporte náutico que ganhou muitos adeptos nos últimos anos.
A geografia local auxilia a prática do kite-surf. (Foto: Daniel Corrêa) 
Por outro lado, diversas famílias vão até os molhes para pescar. É o caso de Roberto Ribeiro que, com certa frequência, leva o filho e a esposa para passar o dia no local que esbanja calmaria. “Viemos para cá por que é um lugar atrativo, é um lugar bom para vir com a família. É seguro, não tem trânsito de veículos, então a criança consegue ficar mais solta” afirma o chefe de família que conclui falando que nunca vai para casa sem peixe.
Esposa de Roberto Ribeiro curtindo uma tarde de pescaria. (Foto: Daniel Corrêa)
Outra opção para os turistas é degustar diversos lanches com frutos do mar nos trailers localizados na orla do balneário. Manoel José Tomás, 63 anos, proprietário de um dos trailers, conta que há mais de vinte anos atende moradores e turistas no mesmo local, próximo aos molhes, diariamente durante a temporada, e no inverno apenas aos finais de semana. O comerciante finaliza afirmando que tem boas expectativas para a próxima temporada.

Confira nosso infográfico que mostra alguns dos atrativos dos Molhes da Barra de Rio Grande!

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Pelotas tem seu turismo valorizado


Na semana do Dia Internacional do Turismo, que se comemora no dia 27 de setembro, saiu o resultado de uma pesquisa encomendada pela Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul, em 2013. O estudo, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), buscou averiguar a capacidade turística pelotense e sua evolução. Representantes do setor e lideranças do Executivo, como a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sdet) e a Secretaria de Cultura (Secult) reuniram-se para receber o resultado.

Pelotas recebeu a classificação nível 4, em uma escala que vai de 1 a 5. O objetivo do estudo é identificar acertos e falhas, não servindo de comparativo entre cidades, para que assim os municípios possam corrigir seus erros, qualificando os serviços e atendendo da melhor forma seus turistas. Para o secretário Fernando Estima (Sdet), as informações obtidas pela pesquisa irão contribuir com as ações dos produtos turísticos do Município. Temas como acesso, estrutura de mercado e desempenho da economia local, infraestrutura, transportes, equipamentos e serviços turísticos, marketing e sustentabilidade foram analisados. Porém, os assuntos que obtiveram abordagens mais relevantes foram a capacidade empresarial, os aspectos sociais, ambientais e culturais.

Para destacar a capacidade empresarial, a qualidade da educação a partir de universidades voltadas para as áreas do turismo foram citadas. No entanto, de acordo com o estudo, as hospedagens deixam a desejar, pois possuem pouca disponibilidade. Já as medidas sociais abrangem ações contra a exploração sexual (que ocorriam principalmente nos arredores do centro histórico da cidade), investimentos em cidadania e educação. A falha é o uso de mão de obra informal em alta temporada.

Sobre o meio ambiente, apesar de Pelotas ter indústrias poluentes, os órgãos responsáveis têm se preocupado com o tema e tomado providências para reduzir os danos ao ambiente.   Contudo, a questão primordial foi sobre cultura, por ter maior ligação com turismo. Além de Pelotas ter muitos prédios, casarões e praças que recontam a história dos imigrantes que a construíram, os hábitos e costumes do lugar de onde eles vieram se refletem até hoje no cotidiano dos pelotenses. Como exemplo, podemos lembrar dos Doces de Pelotas, muitos feitos à base de ovos, herança da gastronomia portuguesa. As manifestações religiosas e o registro do patrimônio material pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), contribuíram para essa valorização do turismo. Porém as atividades imateriais e seus patrimônios não são monitorados pelo Iphan.


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Museu Oceanográfico - Rio Grande - RS

 
            Fundado em 1953, pelo professor Eliezer de Carvalho Rios, o Museu Oceanográfico não leva somente ao conhecimento marítimo, mas à história da cidade do Rio Grande, que está inteiramente ligada ao mar. Cerca de 41 pessoas trabalham para manter o local em funcionamento, entre eles funcionários da Fundação Universidade Rio Grande e terceirizados. Todo ano ao menos 50 mil pessoas passam pelo complexo de museus

            Pertencente à Fundação Universidade Federal do Rio Grande (FURG), toda a estrutura dá suporte necessário para estudantes de biologia e, principalmente, oceanologia. De acordo com o diretor Lauro Barcellos “é conhecido mundialmente por conta do trabalho desenvolvido pelo professor Eliezer Rios sobre malacologia (estudo dos moluscos e conchas), não somente no Brasil como no mundo, a biodiversidade. Então essa primeira arrancada do museu deu-se através dos estudos sistemáticos tanto dos peixes, quanto dos moluscos e algas. Porque naquela época não se falava em educação ambiental, em preservação ambiental, não se falava nada sobre o meio ambiente. Isso tudo é muito moderno, depois de 1970 que a gente começa a falar sobre isso. Hoje uma pessoa jovem, de 15, 16, 17, 20 anos já conversa sobre o meio ambiente, já sabe muito bem da importância de manter o meio ambiente saudável e em condições para que seja possível existir a vida nesses espaços naturais. O museu oceanográfico então começa a falar sobre isso, foi aqui, neste lugar, que se falou primeiramente sobre isso”.
 
Homem e natureza em plena harmonia é característica do Museu Oceanográfico (foto: Daniel Corrêa)
 
            E essa importância destacada pelo museólogo Lauro Barcellos é presente até hoje, quando as escolas estaduais e municipais de Rio Grande e região trazem seus alunos para conhecer um pouco desta história, que pode ser contada de forma muito real para os pequenos cidadãos. “Muitos deles não tem a oportunidade de sair da comunidade onde vivem para fazer este passeio. Isso favorece a um olhar mais cientifico, mais acadêmico, e a observar a diversidade de peixes e animais marinhos. É um passeio que fica marcado, eles vem na expectativa de ver o leão marinho que é uma história aqui na nossa cidade, o peixe de óculos, então isso tudo deixa eles encantados” explica a professora Cristiane Lima da escola municipal Ramiz Galvão. Ela conclui explicando que “essa vinda aqui propicia, depois, que a gente trabalhe uma infinidade de assuntos dentro da sala de aula e que eles vão conseguir fazer relação com o que viram, com as experiências que eles vivenciaram”.
            O grande destaque do museu oceanográfico é o leão marinho chamado Ipirelo. Ele foi encontrado ainda jovem dentro da tubulação de uma indústria e encaminhado ao centro de tratamento dos animais marinhos, localizado dentro do museu. Ipirelo acabou não se adaptando à vida marinha e permaneceu no local, onde é cuidado diariamente.
            Aos interessados, o museu fica aberto das 9h às 11h30min e das 14h às 18h, de terça-feira a domingo, tendo gratuidade neste último. Ele se localiza  Yatch Clube Rio Grande, na rua Capitão-Tenente Heitor Perdigão, nº 10 – Centro.